Zigmunt Bauman

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Vivemos na cultura do café instantâneo de resultados imediatos. A partir dessa constatação, Zigmunt Bauman proferiu sua palestra na visita ao Rio de Janeiro para o Congresso Educação 360.

Numa sociedade hiperconectada, a quantidade de informações disponíveis ao simples clique ou pesquisa no Google transforma rapidamente a cultura nos tempos contemporâneos, sendo possível observar uma vida online e outra off-line. Na primeira, temos a segurança de nos conectar e desconectar quando desejarmos, o que cria uma zona de conforto ou proteção. Na vida off-line, no entanto, há pessoas de todo tipo e indesejáveis, as quais não há possibilidade de excluí-las de seus círculos sociais.

É inegável que o surgimento da Internet trouxe uma série de vantagens para a sociedade contemporânea. Bauman, porém, afirma que se a internet resolveu uma série de problemas também adicionou outros que não existiam, na medida em que muitas vezes cria a cultura da superficialidade de informações rápidas e fragmentadas.

“Não há como contestar que a internet nos trouxe grandes vantagens. A facilidade de acesso à informação, a facilidade com que podemos ignorar as distâncias. Lembro-me de que, quando era jovem, passava muito tempo na biblioteca tentando ler cem livros para encontrar um pedacinho de informação de que precisava. Agora, basta pedir para o Google. Em décimos de segundo ele dá milhares de respostas. Um problema foi eliminado: nós não precisamos passar horas na biblioteca. Mas há um novo problema. Como vou compreender esses milhares de respostas?”

Por outro lado, é possível também observar pontos negativos. A facilidade do uso tecnológico pode ser mais um elemento de distração dos alunos que não mais concebem o professor como uma das únicas fontes ou guias de conhecimento, o que não significa que devemos combatê-los.

“Não há como conceber a sociedade do futuro sem tecnologia. Então, se não pode vencê-la, una-se a ela”, conclui Bauman. Assim, o sociólogo polonês leciona que devemos utilizar os meios tecnológicos como instrumento e potencializá-los sem desconsiderar a necessidade de um senso crítico perante as obviedades que o recorte superficial dos fatos nos indica. Certamente, a educação possui papel fundamental nesse campo.

“Educar é investir nos próximos 100 anos”. Zigumunt Bauman

Segue link da Palestra (dia 12.09.2015):

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Do palácio ao chafariz

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Inicialmente construído nos Estados Unidos, o Palácio Monroe, imponente construção localizada na Av. Central da cidade do Rio de Janeiro, foi remontado em 1906 na cidade do Rio de Janeiro. O local, sede de páginas importantes da história do Brasil, sediou Câmara e Senado Federal.

Porém, o antigo palácio também entrou para história por outro motivo. Após uma série de discussões, o imóvel foi derrubado em 1976, sendo este fato um dos exemplos mais concretos do descaso do Poder Público perante os bens culturais no Brasil.

Apelidado de “monstrengo arquitetônico pelo Jornal O Globo, a construção foi alvo de ferrenha campanha capitaneada pelo arquiteto Lúcio Costa pela demolição. Por outra lado, o Clube da Engenharia e a IAB buscavam outro desfecho.

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O GLOBO

Curioso, aliás, ressaltar que foi concedido o direito de venda dos materiais que faziam parte do prédio, inclusive duas estátuas de leões da fachada, o que significou alto lucro para a empresa responsável pela demolição. Segundo o Diário de Notícias do dia 11.01.1976, somente as duas peças seriam avaliadas em mais de nove milhões de cruzeiros.

E a história de descasos com os bens públicos se repete. Atualmente, as obras de “modernização” do centro da cidade do Rio de Janeiro também servem aos grandes empresários, empreiteiras e especulação imobiliária sobre áreas da zona portuária, além de descartar relíquias encontradas ao longo da via do futuro VLT.

Assim, seguimos a máxima: quem não conhece sua história está condenado a repetir os mesmos erros.

ALÉM DO 7 X 1: ENERGIAS RENOVÁVEIS

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

Traumáticos, os gols de Müller, Klose, Khedira, Kroos (2x) e Schurrle (2x) ainda pesam nos ombros da seleção canarinho, mas não é só no futebol que o Brasil anda perdendo de goleada para os alemães.

No campo das energias renováveis, o Brasil ainda precisa aprender muito com nossos carrascos.  A Alemanha se tornou uma das principais potências nesse setor. Desde 2000, o governo alemão busca incentivar a transição da cultura do gasto desnecessário de energia para o consumo consciente e sustentável após um planejamento estruturado de longo prazo e incentivos do Poder Público.

“Com a mudança, os incentivos foram reduzidos, mas isso reflete mais o aumento da competitividade com a transformação energética da Alemanha”, nas palavras de Patrick Graichen, diretor do Agora Energiewende, instituto criado para discutir a transição energética alemã.

No dia 19.08.2015, a chanceler alemã Angela Merkel desembarca no Brasil com o interesse de firmar um acordo de cooperação e assinar uma declaração de combate às mudanças climáticas em conjunto com o governo brasileiro. E não virá sozinha. A comitiva alemã é composta por sete ministros e cinco secretários de Estado.

É a hora da mudança. O Brasil possui condições climáticas favoráveis para realizar também sua fase de transição, na medida em que diariamente incide em território brasileiro 4.500 Wh/m2 a 6.300 Wh/m2. Ora, o lugar mais ensolarado da Alemanha possui capacidade de captação muito inferior do que os de menor incidência nas terras tupiniquins.

Gigante pela própria natureza, o Brasil pode e deve ser um dos protagonistas na captação de energias renováveis, mas além do futebol também devemos nos espelhar no plano de transição germânico. Vamos cobrar!

SOS VILA AUTÓDROMO

 

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No dia 02 de outubro de 2009, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, tendo sido celebrado em vários cantos do país.

A data marca também mais um capítulo de luta e resistência de moradores da comunidade Vila Autódromo. Situada numa área de intensa expansão da capital fluminense, o terreno da Vila tornou-se objeto de especulação imobiliária e palco da violação dos direitos mais básicos dos cidadãos: a moradia digna.

O desfecho poderia ter sido outro. O Plano Popular da Vila Autódromo, reconhecido internacionalmente pelo Deutsche Bank Urban Age Award, foi elaborado através do empenho de profissionais nas universidades e os moradores. Nesse projeto de urbanização, ficou demonstrado a viabilidade de soluções sustentáveis e co-habitação de moradores e o próprio complexo olímpico.  Assim, ganharíamos todos nossa primeira medalha de ouro.

Porém, a política de remoções do Poder Público direcionada por empreiteiras passa por cima de legislações, casas e pessoas, usando a força arbitrária e repressiva do Estado.

O espírito olímpico inspirado no Barão de Coubertin já passou longe dos ares cariocas. Medalhas de sangue, suor e lágrimas.